segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Uma história de amor...
"Era uma vez uma ilha onde moravam todos os sentimentos:
- A Alegria;
- A Tristeza;
- E todos os outros sentimentos, por fim, o Amor.
Mas um dia foi avisado aos moradores que aquela ilha iria afundar. Todos os sentimentos apressaram-se para sair da ilha. Pegaram os seus barcos e partiram, mas o Amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha antes que ela afundasse.
Quando estava quase afogando-se, o Amor começou a pedir ajuda.
Viu a Riqueza, e o Amor disse:
- Riqueza, leva-me contigo!
- Não posso, há muito ouro e prata no meu barco, não há lugar para ti.
Ele pediu ajuda a Vaidade, que também vinha passando…
- Vaidade, por favor, ajuda-me.
- Não posso ajudar-te. Estás todo molhado e poderia estragar meu barco novo!
Então o Amor pediu ajuda à Tristeza.
- Tristeza, deixas-me ir contigo?
- Ah Amor! Estou tão triste que prefiro ir sozinha.
Também passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem o ouviu chamar. Desesperado, o Amor começou a chorar, foi quando uma voz lhe chamou:
- Venha Amor, eu levo você.
Era um velhinho, o Amor ficou tão feliz que esqueceu de perguntar o seu nome.
Chegando do outro lado da margem, ele perguntou à Sabedoria:
- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
A Sabedoria respondeu:
- Era o Tempo!
- O Tempo? Mas por que só o Tempo me trouxe?
A Sabedoria respondeu:
- Porque só o Tempo é capaz de ajudar e entender um grande Amor"
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Ser Criança
Faz algum tempo quando alguém com um toque de ironia na voz chamou-me de "criança grande".
Confesso que inicialmente fiquei apreensiva: O que quereria dizer essa pessoa ao professar tal comentário? Com que intenção?
Sei lá eu porquê, hoje, durante a noite, esse mesmo comentário não saiu do meu pensamento.
Posso afirmar que a mágoa que senti na época, hoje não me fere mais, pelo contrário. Penso até que foi um elogio.
Vejamos:
A criança, é pura.
A criança, não vê a maldade.
A criança, não guarda rancor.
A criança, possui um sorriso contagiante.
A criança, não destingue raças, crenças ou gostos.
A criança, é alegria
A criança, espelha o sorriso de Deus.
E, se assim o é, prefiro ser criança para sempre. Guardar no mais oculto de mim, a inocência e a pureza que está subjacente no sorriso sincero expresso numa criança.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
O Amor
Quando o Amor bater à tua porta, segue-o, mesmo que o caminho seja pedregoso e difícil.
E, quando o Amor quiser falar contigo, acredita nele, ainda que a sua voz possa fazer evaporar teus sonhos, como o vento forte que devasta o jardim.
Da mesma forma que te exalta, o Amor te crucifica, e como te faz amadurecer, assim te podará.
E te entregará ao Seu fogo sagrado a fim de que sejas o pão santo da mesa de Deus.
É o que o Amor realiza em ti, para que possas tornar-te uma fracção do coração da Vida.
O Amor nada dá a não ser a Si mesmo, e nada colhe, senão em Si mesmo.
O Amor não é possessivo, nem gosta de o ser, porque se basta a Si mesmo.
E não penses que poderás conduzi-Lo, pois, se te achar digno, Ele mesmo te conduzirá.
O Amor não quer senão consumir-Se!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Outonos e Primaveras…
Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.
A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.
A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assobios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.
São as estações do tempo. São as estações da vida.
Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras…
Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras…
Floresçamos.
Padre Fábio de Melo
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