domingo, 28 de fevereiro de 2010

Silêncio nas Palavras



Há uns dias atrás escrevi sobre “saber escutar”. Hoje, pergunto-me a mim própria se o saberei fazer.
Ontem as palavras ficaram recolhidas num qualquer recanto de mim, presas entre o choque e a tristeza.
Gostaria de ter pronunciado a palavra certa e adequada ao momento, aquela que quando bem escolhida levanta as muralhas do desalento e dota a quem as escuta duma força capaz de mover montanhas.
Gostaria de ter tido a capacidade de dar um conselho que conseguisse mostrar uma luz, um caminho...
Queria ter dito que a Deus nada é impossível, que Deus tudo pode, que tudo se resolve com fé e persistência... mas não disse...Não me ouvi! Quanto muito, balbuciei meia dúzia de palavras...

Ao chegar a casa, rebobinei o tempo e fiz-lo andar para trás. Numa tentativa de me entender rebusquei na memória aquele quase monólogo, tentando ver em mim um olhar que falasse mais do que o meu silêncio. Não me consegui visualizar. Porém, recordei meus braços, que se abriram num abraço de amparo e protecção, como que corrigindo o vazio deixado pelas palavras que não fui capaz de dizer...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010



Ser grande não é ter orgulho, nem vaidade
Ser grande é vencer barreiras, sem temer obstáculos
Ser grande é ir à luta, ser vitorioso, não um colecionador de troféus.
Ser grande é amar o próximo, respeitando seus erros e defeitos
Ser grande não é ser pequeno em atitudes ou palavras
Ser grande é estar em paz... em estado de graça
Ser grande na grandiosidade da palavra ou talvez, na grandeza do significado...
Ser grande é temer a Deus, sem achar-se invencível
Ser grande é não esquecer de onde se veio...Ter propósitos, idealizar coisas...
Ser grande é tentar ser perfeito, mesmo com imperfeição...
Ser grande é ter ambição e não ganância...
Ter humildade, respeito por si mesmo...
Ser grande é viver cada momento...E, acima de tudo amar a Deus
Pois só Ele é digno de toda a honra e toda a glória
E através Dele ser realmente Grande.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Meu melhor Amigo



O meu melhor amigo morreu numa tarde triste de sexta feira. O sol ainda era quente e o calor era intenso. Morreu de um jeito cruel. Vítima de um sistema político e religioso que não sabia entender que Deus prefere os miseráveis. Morreu porque amou demais, morreu porque não sabia mentir. O meu melhor amigo não sabia ser indiferente. Viveu o tempo todo recolhendo os que estavam caídos e desacreditados. Ele foi um ser humano inesquecível. Entrava em lugares proibidos e dormia na casa de pessoas abomináveis. Trocou santos por Zaqueu, doutores por Mateus. Não se preocupava com que os outros estavam achando dele, mas ocupava-se de sua vida como se cada instante vivido fosse o último. Meu melhor amigo tinha o poder de ser irreverente. Ele olhava nos olhos dos fracassados e lhes restituía a coragem perdida. Segurava nas mãos dos cansados e os convencia que ainda lhes restavam forças pra chegar. O meu melhor amigo era desconcertante. Tinha o dom de confundir os sábios e encantar os simples. Eu um dia também me encantei com ele. Chegou num dia em que eu não sei dizer qual foi. Chegou numa hora que eu não sei precisar. Sei que chegou, sei que veio. Entrou pela porta da minha vida e nunca mais o deixei sair. Somos íntimos. Minha fala está presa à dele. Eu o admiro tanto que acabo tendo a pretensão de querer ser como ele. Já me peguei cantando pra ele os versos de Tom Jobim: “Não há você sem mim e eu não existo sem você!” Ele sorri quando eu canto. Meu melhor amigo me ensina a ser humano. Ele me ensina que a vida é uma orquestra linda, mas dói. Ele me ensina a apreciar os acordes tristes… e aí dói menos. A beleza distrai a tristeza. Foi assim que eu assisti à sua morte na sexta feira santa. Eu sabia que era passageira. Era apenas um interlúdio feito de acordes menores, dilacerantes de tão tristes. Meu amigo não sabe ser morto. Ele gosta é de ser vivo, vivente! E é assim que eu entendo a dinâmica da Ressurreição. Quando digo: “Ele está no meio de nós!” eu estou convidando o meu amigo a ser vivo através de mim. Quem ama de verdade leva sempre a criatura amada por onde vai. E é assim que o amor vai se tornando concreto no meio de nós. É assim que a vida vai ficando eterna… e a gente vai ressuscitando aos poucos… Hoje eu acordei mais feliz. Nada de especial me aconteceu. Apenas me recordei que meu melhor amigo ainda acredita em mim, apesar de tudo. Eu sou um legítimo representante de sua RESSUREIÇÃO no mundo. Não posso me esquecer disso!!! As pessoas olham pra mim… Eu espero que elas não me vejam… eu espero que vejam o meu melhor amigo, em mim.


(Pe. Fabio de Melo)

Seja



Seja Fonte...

Fonte de água pura e cristalina. Seja água abundante para quem tem sede de amor,de carinho, de força, de apoio...

Seja Porto...

Porto de chegada de almas cansadas,seja porto para aqueles que andam perdidos pelo mundo,e que precisam de um lugar tranquilo para descansar o fardo que carregam.

Seja Ponte...

Ponte que liga a vida terrena à eternidade do céu. Para ser ponte, compreenda, perdoe e deixe as pessoas passarem por você. Para ser ponte, esteja no fim da estrada daqueles que não encontram o caminho de volta. Seja a passagem, e não o atalho...

Seja Estrada...

Estrada longa, boa de passear, estrada iluminada de dia pelo sol e de noite pelo luar. Seja estrada que guia, estrada que conduz a outros caminhos.

Seja Chuva...

Chuva que molha os corações secos, vazios de amor, de esperança, de paz. Seja chuva que inunda os campos áridos, que molham os jardins, que dá vida a toda vegetação, e faz transbordar os rios.

Seja Árvore...

Árvore que dá frutos para quem tem fome, que dá sombra e refresca o árduo calor dos caminhantes que seguem pela vida. Seja árvore que aninha, que acolhe os passarinhos,que enfeitam os quintais.


Ser Fonte,
ser Porto,
ser Ponte ou Estrada,
ser Chuva ou ser Árvore...
é servir a Deus!