terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Carta ao Menino Jesus



Querido menino:
Neste momento em que estas prestes a nascer de novo sobre a terra, quero avisar-te:


Não nasças na Europa cristã.
Deixam-te sozinho diante da televisão,
Enchem-te de pipocas e de guloseimas,
Educam-te a ser competitivo, um homem de poder e de sucesso,
E a ser um "lobo" para os outros meninos africanos,
Latino-americanos ou asiáticos;
Não nasças na cristã América do Norte.
Ensinam-te que és superior aos outros meninos,
Que tudo se pode reduzir a comércio,
Que todos podem ser comprados e corruptos.
Ensinam-te a disparar mísseis e a fazer bloqueios
Que privam de medicamentos outras crianças;
Evita a África.
Nascerias com a SIDA e morrerias de diarreia, apenas recém-nascido,
Ou acabarias refugiado num país que não é o teu,
Para fugir a novas matanças de inocentes;
Evita a América Latina.
Acabas por ser um menino da rua ou então exploram-te
Para cortar cana-de-açúcar ou para colher café e cacau
Para as crianças do norte do mundo,
Sem nunca poderes comer uma só tablete de chocolate;
Evita também a Ásia.
Fazem-te "patrão" trabalhando catorze horas por dia
A fazer tapetes, sapatos de ténis, bolas de futebol e brinquedos
Para dar de presente... no Natal....
Às crianças do norte do mundo,
E tu, descalço, jogas futebol com uma bola de trapos.
Mas sobretudo não nasças de novo na Palestina.
Alguém pode dar-te uma espingarda, outros uma pedra para a mão
E te ensinariam a odiar os irmãos do mesmo Pai:
Os hebreus, os muçulmanos e os cristãos.


Querido Menino, pensando bem;
Deves nascer mesmo em todos esses lugares. Mas não nos corações das crianças, nem nos países “pequenos e frágeis”: Lá, Tu já estás; nasce sim nos corações e nos países “grandes e poderosos” para que, tal como Tu: Deus poderoso que se faz pequeno, renasçam também eles: pequenos, inocentes e finalmente … frágeis.

sábado, 3 de dezembro de 2011



Foi na noite de Natal. Um anjo apareceu a uma família muito rica e falou para a dona da casa. 
- Trago-te uma boa notícia: esta noite o Senhor Jesus virá visitar a tua casa! 
Aquela senhora ficou entusiasmada. Jamais acreditara ser possível que esse milagre acontecesse em sua casa. Tratou de preparar um excelente jantar para receber Jesus. Encomendou frangos, assados, conservas, saladas e vinhos importados.
De repente, tocaram a campainha. Era uma mulher com roupas miseráveis, com aspecto de quem já sofrera muito.
- Senhora, - disse a pobre mulher, - Será que não teria algum serviço para mim? Tenho fome e tenho necessidade de trabalhar.
- Ora bolas! - retorquiu a dona da casa. - Isso são horas de me vir incomodar? Volte outro dia. Agora estou muito atarefada com um jantar para uma visita muito importante.
A pobre mulher retirou-se.  Um pouco mais tarde, um homem, sujo de óleo, veio bater-lhe à porta.        
- Senhora, - disse ele,  - O meu camião avariou aqui mesmo em frente à sua casa. Não teria a senhora, por acaso, um telefone para que eu pudesse comunicar com um mecânico?
 A senhora, como estava ocupadíssima em limpar as pratas, lavar os cristais e os pratos de porcelana, ficou muito irritada.
- Você pensa que minha casa é o quê? Vá procurar um telefone público... Onde já se viu incomodar as pessoas dessa maneira? Por favor, cuide para não sujar a entrada da minha casa com esses pés imundos!
E a anfitriã continuou a preparar o jantar: abriu latas de caviar, colocou o champanhe no frigorífico, escolheu, na adega, os melhores vinhos e preparou os coquetéis.
Nesse momento, alguém lá fora bate palmas. “Será que agora é que é Jesus?” -pensou ela, emocionada. E com o coração a bater acelerado, foi abrir a porta. Mas decepcionou-se: era um menino de rua, todo sujo e mal vestido... 
- Senhora, estou com fome. Dê-me um pouco de comida! 
- Como é que eu te vou dar comida, se nós ainda não jantámos?! Volta amanhã, porque esta noite estou muito atarefada... não te posso dar atenção.
Finalmente o jantar ficou pronto. Toda a família esperava, emocionada, o ilustre visitante. Entretanto, as horas iam passando e Jesus não aparecia. Cansados de tanto esperar, começaram a tomar aqueles coquetéis especiais que, pouco a pouco, já começavam a fazer efeito naqueles estômagos vazios, até que o sono fez com que se esquecessem dos frangos, assados e de todos os pratos saborosos.
De madrugada, a senhora acordou sobressaltada e, com grande espanto, viu que estava junto dela  um anjo. 
- Será que um anjo é capaz de mentir? - gritou ela. - Eu preparei tudo esmeradamente, aguardei a noite inteira e Jesus não apareceu. Por que é que você fez  essa brincadeira comigo?
- Não fui eu que menti... Foi você que não teve olhos para enxergar. -  explicou o anjo. - Jesus esteve aqui em sua casa  três vezes: na pessoa da mulher pobre, na pessoa do motorista e na pessoa do menino faminto, mas a senhora não foi capaz de reconhecê-lo e acolhê-lo em sua casa”.


É preciso estar atento a voz de Jesus. Muitas vezes ele passa em nossas vidas e nós simplesmente não damos por isso, não o acolhemos. O advento é o tempo de estarmos vigilantes e atentos ao Senhor que vem. Aguardemos então a sua vinda com o coração humilde e despido de tudo o que é supérfluo, para assim podermos ver Jesus e não termos a desilusão de ter estado na sua presença e não o termos reconhecido.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Coração puro

Havia um monge que vivia sozinho numa cabana no topo duma montanha. Houve um dia que ele saiu de casa e passou um ladrão no fundo da montanha. Ao olhar para o seu cume decidiu subi-la pois viu a cabana do monge e tinha intenção de a assaltar. Depois de subir e subir, chegou por fim ao topo, muito cansado e ao entrar na cabana, ficou pasmado ao ver que ela estava completamente vazia sem nada para roubar.
Entretanto o monge chega e ao deparar-se com o ladrão ficou muito triste e disse-lhe:
-Irmão, nada tenho que te possa oferecer. Então tirou a camisa que tinha vestida e disse-lhe novamente:
-Leva-a, é tudo o que te posso dar.
O ladrão ao deparar-se com aquela situação, ficou embaraçado e sem saber o que fazer, saiu a correr pela montanha abaixo com a camisa não mão.
O monge sentou-se já sem a camisa, sob o céu estrelado e exclamou:
-Ao menos se eu lhe pudesse oferecer a lua…!





segunda-feira, 21 de novembro de 2011


Desgastar os silêncios
Dá fome e vazio.
desilude a inteligência... inteligente
Nada dignifica o que despreza,
mas é assim...
A fome come o que pode destruir
e destrói o que pode comer.
Pobres sem solução?
Há sempre Uma Luz
Olha a luz do dia.
O Pão que te seduz.
Presas por fios ao coração
soltam-se como balões ,
Ao céu estrelado.
Vão parar as ilusões
A criança tenta apanhá-las
Desiludida deita a mão
Mas são cadentes .
E as estrelas já não são.
Resta o Sol do Caminho
-Há sempre um raio de luz
Para saciar o pobre
E quem quiser levar a Cruz.



Utilia Ferrão